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  • O pigmento índigo, história e técnicas de tingimento

    O índigo é um dos pigmentos e corantes mais fascinantes da história da moda. Basicamente, ele é o responsável pelo azul clássico do jeans que domina o planeta há mais de um século. O que é o índigo? O índigo é um corante azul profundo obtido tradicionalmente de plantas do gênero Indigofera, especialmente da espécie Indigofera tinctoria. Hoje também existe o índigo sintético, produzido industrialmente, mas o processo tradicional continua sendo valorizado por artesãos e marcas que trabalham com tingimento natural. Origem Os registros mais antigos do uso do índigo remontam a milhares de anos. O corante foi utilizado em diferentes partes do mundo, especialmente em: Índia (considerada a principal origem histórica do comércio do índigo) China Japão Egito Diversas regiões da África Ocidental Inclusive, a palavra "índigo" vem do grego e do latim relacionados à Índia, porque os europeus associavam esse corante ao comércio vindo daquela região. Como o tingimento funciona? Aqui está a parte curiosa. O índigo não se dissolve facilmente na água. Para tingir tecidos, ele precisa passar por um processo chamado redução. Durante esse processo: O banho de tingimento fica com aparência esverdeada ou amarelada. O tecido é mergulhado nessa solução. Quando o tecido é retirado e entra em contato com o oxigênio do ar, ocorre a oxidação. O tecido gradualmente fica azul. É quase uma pequena mágica química acontecendo diante dos olhos. Quem já viu um tecido sendo retirado de um tanque de índigo tradicional percebe que ele sai verde e vai ficando azul em poucos minutos. Técnica japonesa: Aizome Uma das técnicas mais famosas é o Aizome, do Japão. Nesse método, utiliza-se o índigo natural fermentado. Os artesãos mantêm tanques vivos de fermentação durante meses ou até anos. O azul obtido é extremamente rico e apresenta nuances difíceis de reproduzir industrialmente. Os japoneses também desenvolveram técnicas de reserva, como o Shibori, criando padrões complexos semelhantes ao tie-dye, porém muito mais elaborados. Índigo e o jeans No século XIX, o índigo se tornou inseparável do denim. Quando Levi Strauss e seus parceiros popularizaram as calças de trabalho que deram origem ao jeans moderno, o índigo já era usado para colorir o tecido. Uma característica interessante é que o índigo não penetra completamente nas fibras de algodão. Ele fica mais concentrado na superfície. Por isso: O jeans desbota com o uso. Surgem marcas personalizadas. Cada peça envelhece de forma única. É justamente esse desgaste que muitos apaixonados por denim consideram bonito. Curiosidades O índigo já foi tão valioso que era chamado de "ouro azul". Algumas culturas acreditavam que tecidos tingidos com índigo possuíam propriedades protetoras. Antes do índigo sintético, o corante era um produto de enorme importância econômica mundial. Muitas técnicas tradicionais de tingimento com índigo são consideradas patrimônio cultural em diferentes países. Marcas contemporâneas de moda sustentável têm resgatado o uso do índigo natural para reduzir impactos ambientais.

  • Elsa Schiaparelli

    Elsa Schiaparelli nasceu em 10 de setembro de 1890, em Roma, Itália, e faleceu em 13 de novembro de 1973, em Paris, França. Foi estilista e uma das figuras mais influentes da moda do século XX, conhecida por integrar arte e design de forma inovadora. Infância e formação Filha de uma família intelectual, Schiaparelli cresceu em um ambiente acadêmico. Seu pai era diretor da Biblioteca Real de Roma e sua mãe tinha ascendência aristocrática. Desde cedo, teve contato com literatura, ciência e arte. Ainda jovem, mudou-se para Londres, onde se casou com o teósofo Wilhelm de Wendt de Kerlor. Após o fim do casamento, mudou-se para Nova York e, posteriormente, estabeleceu-se em Paris, onde iniciaria sua carreira na moda. Início na moda Elsa Schiaparelli começou a se envolver com o design de roupas na década de 1920. Seu primeiro sucesso foi um suéter com padrão de trompe-l’œil (ilusão de ótica), que chamou atenção pela abordagem inovadora. Em pouco tempo, abriu sua própria maison em Paris e passou a desenvolver coleções com forte identidade visual e experimental. Relação com o surrealismo Schiaparelli ficou conhecida por sua colaboração com artistas do movimento surrealista, incluindo: Salvador Dalí Jean Cocteau Man Ray Essas parcerias resultaram em peças que misturavam moda e arte, como: vestidos com estampas ilusionistas acessórios com formas inusitadas peças que incorporavam elementos simbólicos e conceituais Criações e inovações Entre suas contribuições mais importantes estão: Introdução do “rosa shocking”, cor que se tornou assinatura da marca Uso de zíperes aparentes como elemento estético Criação de peças com design conceitual, como vestidos com motivos surrealistas Integração entre moda, arte e performance Suas coleções romperam com padrões tradicionais da moda da época, propondo novas formas de expressão visual. Carreira e reconhecimento Durante as décadas de 1930 e início dos anos 1940, Schiaparelli foi uma das principais concorrentes de Coco Chanel, atuando no cenário da alta-costura parisiense. Com a Segunda Guerra Mundial, mudou-se para os Estados Unidos e, após o conflito, retornou à Europa. Em 1954, encerrou as atividades de sua maison. Outras atividades Elsa Schiaparelli também escreveu sua autobiografia, Shocking Life (1954), onde relata sua trajetória pessoal e profissional. Legado Schiaparelli é reconhecida como uma das primeiras designers a tratar a moda como forma de arte conceitual. Sua influência permanece visível em estilistas contemporâneos e na relação entre moda, arte e cultura visual. A marca Schiaparelli foi relançada no século XXI e continua ativa no cenário da alta-costura, mantendo referências ao trabalho original da fundadora.

  • Jeanne Lanvin

    Jeanne Lanvin nasceu em 1º de janeiro de 1867, em Paris, França, e faleceu em 6 de julho de 1946, também em Paris. Foi estilista e empresária, fundadora da Lanvin, uma das casas de moda mais antigas ainda em atividade. Infância e início profissional Filha de uma família numerosa de origem modesta, Jeanne começou a trabalhar ainda jovem como aprendiz de costureira. Atuou em ateliês de chapéus e rapidamente se destacou na área de chapelaria, abrindo sua própria loja no final do século XIX em Paris. Entrada na moda feminina A mudança decisiva em sua carreira ocorreu com o nascimento de sua filha, Marguerite Lanvin. Jeanne passou a confeccionar roupas para a criança, que chamaram atenção pela qualidade e acabamento. A demanda cresceu, levando-a a expandir seu negócio para a moda infantil e, posteriormente, para roupas femininas. Fundação e expansão da Lanvin Em 1909, Jeanne Lanvin ingressou oficialmente na Chambre Syndicale de la Haute Couture, consolidando sua posição no cenário da alta-costura. Sua maison se destacou por uma abordagem refinada, com foco em detalhes, bordados e tecidos de alta qualidade. Ao longo das décadas seguintes, a Lanvin expandiu suas atividades, incluindo: moda feminina moda infantil decoração de interiores perfumes Estilo e identidade Jeanne Lanvin ficou conhecida por um estilo que combinava elegância, feminilidade e atenção minuciosa aos detalhes. Entre seus elementos característicos estão: uso de bordados elaborados tecidos fluidos e cortes delicados inspiração em referências históricas e artísticas o icônico “azul Lanvin”, tonalidade desenvolvida pela própria estilista Sua relação com a filha influenciou diretamente sua estética, refletida no logotipo da marca, que representa mãe e filha de mãos dadas. Perfumes e diversificação Em 1927, Jeanne Lanvin lançou o perfume Arpège, criado em homenagem à sua filha. A fragrância tornou-se um dos produtos mais reconhecidos da maison e contribuiu para consolidar a marca além da moda. Legado Jeanne Lanvin construiu uma das primeiras casas de moda a operar de forma multidisciplinar, integrando vestuário, fragrâncias e decoração. Após sua morte, a marca continuou ativa, passando por diferentes direções criativas ao longo do século XX e XXI. Seu trabalho permanece como referência na história da moda por sua contribuição à alta-costura, ao desenvolvimento da moda infantil e à consolidação das maisons como estruturas criativas e comerciais duradouras.

  • Charles Frederick Worth

    Charles Frederick Worth  nasceu em 13 de outubro de 1825 , em Bourne, Lincolnshire, Inglaterra , e faleceu em 10 de março de 1895 , em Paris, França . Ele é considerado um dos fundadores da alta-costura moderna , sendo o primeiro estilista a transformar a moda em uma profissão reconhecida e autoral. Início da carreira Worth começou a trabalhar ainda jovem em lojas de tecidos em Londres , onde aprendeu sobre materiais, bordados e construção de roupas. Em 1846 , mudou-se para Paris , então centro da moda europeia, e passou a trabalhar na loja Gagelin & Opigez , especializada em tecidos de luxo e xales. Seu talento para design e combinação de tecidos rapidamente chamou atenção. Com o tempo, começou a criar vestidos para apresentar os tecidos da loja, o que contribuiu para sua reputação crescente. Fundação da casa Worth Em 1858 , Worth fundou sua própria casa de moda, a House of Worth , em Paris, junto com o empresário Otto Bobergh. A marca se tornou rapidamente referência entre a aristocracia europeia. Uma de suas clientes mais influentes foi Eugénie de Montijo , imperatriz da França e esposa de Napoleão III , cuja preferência pelos vestidos de Worth ajudou a consolidar o prestígio do estilista. Inovações na moda Charles Frederick Worth introduziu práticas que hoje são fundamentais na indústria da moda: Foi um dos primeiros designers a assinar suas roupas com etiquetas , estabelecendo o conceito de autoria na moda. Criou o sistema de coleções sazonais , apresentadas para clientes antes da produção. Utilizou modelos vivos  para apresentar suas criações, uma prática que antecede os desfiles de moda atuais. Passou a ditar tendências , em vez de apenas atender pedidos das clientes. Estilo e criações Worth era conhecido por vestidos luxuosos, com uso de tecidos ricos, bordados elaborados e silhuetas estruturadas. Suas criações refletiam o gosto da aristocracia europeia do século XIX, com destaque para saias volumosas, caudas longas e ornamentação detalhada. Legado Após sua morte em 1895, seus filhos continuaram administrando a House of Worth , que permaneceu influente nas primeiras décadas do século XX. Charles Frederick Worth é lembrado como o primeiro grande estilista da história da moda , responsável por transformar o costureiro em designer e por estabelecer as bases do sistema moderno da moda, incluindo casas de moda, coleções e a figura do criador como autoridade estética.

  • Erycah Badu

    Erykah Badu , nascida Erica Abi Wright  em 26 de fevereiro de 1971 , em Dallas, Texas , é uma cantora, compositora, produtora, atriz e figura influente na cultura afro-americana contemporânea. Reconhecida como um dos principais nomes do neo-soul , tornou-se referência musical e visual desde o fim dos anos 1990. Infância e Formação Badu cresceu em um ambiente artístico. Ainda criança, se apresentava em teatros locais e programas comunitários. Entrou na Grambling State University , onde estudou teatro, mas decidiu abandonar o curso para se dedicar integralmente à música. Durante esse período, começou a construir sua identidade artística, marcada por influências de soul, jazz, hip-hop e espiritualidade africana. Início da Carreira e Ascensão Em 1994, Badu começou a ganhar visibilidade abrindo shows e participando de eventos de música em Dallas. O ponto de virada veio quando gravou uma demo que chamou a atenção do produtor Kedar Massenburg , que a contratou. Em 1997 , lançou seu primeiro álbum, “Baduizm” , que recebeu aclamação da crítica e certificações internacionais. O disco incluía sucessos como “On & On” e consolidou a estética sonora que ficaria associada ao neo-soul. No mesmo ano, lançou o álbum ao vivo “Live” , que também se tornou um marco em sua carreira. Discografia e Trabalhos Relevantes Entre seus principais álbuns estão: Baduizm  (1997) Live  (1997) Mama’s Gun  (2000) Worldwide Underground  (2003) New Amerykah Part One  (2008) New Amerykah Part Two  (2010) Além do trabalho musical, Badu colaborou com artistas como Common, The Roots, Outkast e D’Angelo, ampliando sua presença na cultura hip-hop. Carreira como Atriz e Outras Atividades Badu também atuou em cinema e televisão, aparecendo em produções como: The Cider House Rules  (1999) Blues Brothers 2000  (1998) Participações em documentários e projetos musicais televisivos Ela também trabalha como DJ sob o nome DJ Lo Down Loretta Brown , além de atuar em oficinas de artes, performances visuais e ações comunitárias em Dallas. Estilo: Identidade Visual e Moda O estilo de Erykah Badu é um dos elementos centrais de sua imagem pública. Sua estética mistura referências afro-diaspóricas, tradições espirituais, moda urbana e elementos futuristas. Características marcantes do estilo de Badu • Turbantes e headwraps Tornaram-se sua assinatura nos anos 1990. Além de estética, carregam simbolismo cultural ligado à ancestralidade africana. • Silhuetas amplas Kaftans, mantos, casacos estruturados e roupas com volume são escolhas frequentes, reforçando sua ligação com espiritualidade e expressão livre. • Acessórios em grande escala Brincos, colares e pulseiras grandes reforçam proporção, presença e teatralidade. • Exploradora do experimental Badu usa moda como forma de comunicação artística. Em apresentações e red carpets, costuma vestir peças conceituais e colaborações com estilistas contemporâneos. • Estética afrofuturista Maquiagens gráficas, peças metalizadas, referências espaciais e visuais que mesclam tradição e futuro aparecem constantemente em suas fases mais recentes. Legado fashion A presença de Erykah Badu influenciou a moda como construção de identidade cultural. Seu estilo é frequentemente analisado em revistas, editoriais e estudos sobre moda afro-americana, e ela é convidada para campanhas, consultorias visuais e projetos ligados a marca pessoal. Influência e Legado Cultural Erykah Badu se consolidou como uma das artistas mais importantes das últimas décadas, tanto musical quanto esteticamente. Sua contribuição ultrapassa gêneros, alcançando debates sobre negritude, espiritualidade, autonomia feminina, ancestralidade e liberdade criativa. Seu impacto continua ativo em novas gerações de artistas, estilistas, músicos e criadores visuais que a citam como referência.

  • A vestimenta Iorubá: História, simbolismos e o poder da indumentária

    A cultura iorubá é uma das mais ricas e influentes da África Ocidental, presente majoritariamente na Nigéria, Benim e Togo. Sua estética, espiritualidade e modos de vestir formam um universo de significados que ultrapassa a ideia de roupa: trata-se de identidade, linhagem, ancestralidade, espiritualidade e status social. A indumentária iorubá moldou não apenas o vestuário africano, mas também influenciou o Brasil, especialmente regiões como Bahia e Pernambuco, onde tradições afro-religiosas preservam elementos dessa herança até hoje. Nesta matéria, vamos explorar as principais peças, seus significados, técnicas têxteis, cores, usos cerimoniais e como essa estética atravessou continentes, mantendo-se viva e reinventada. Para os iorubás, vestir-se é comunicar, cada peça, cor e tecido carrega símbolos sociais, religiosos e estéticos. A roupa marca classe social, fase da vida, ocasião (comum, ritualística, funerária, festiva), status familiar e relação com os orixás no contexto religioso. O vestuário é tão importante que, tradicionalmente, é parte essencial de ritos de passagem como coroações, casamentos e funerais. Tecidos tradicionais Aso-Oke O tecido mais icônico. Feito em tear manual, espesso, nobre, usado em ocasiões especiais como casamentos e festivais. Existem três tipos principais: Etu : azul-marinho ou preto com riscas finas Sanyan : tom beige-dourado feito das fibras da seda africana Alaari : vermelho vibrante, símbolo de riqueza Adire Tecido tingido com técnicas de amarração e pintura com índigo. As estampas são criadas artesanalmente e cada padrão tem um significado próprio, como proteção, prosperidade e sabedoria. Kampala Derivado do adire, com coloração mais vibrante, usada no cotidiano e em festas. As principais peças da indumentária iorubá Para mulheres Bùbá : bata ampla de manga curta. Ìró : pano enrolado na cintura, como uma saia. Gèlè : o famoso turbante estruturado. É símbolo de elegância e respeito; sua amarração pode ser simples ou extremamente elaborada. Ìpèlè/Iborún : echarpe usada sobre o ombro ou diagonalmente no corpo. Kìlà : acessório de cintura, muitas vezes usado para marcar feminilidade e status. Para homens Bùbá : versão masculina da túnica. Sóró : túnica longa e reta. Ṣọ̀rọ̀ ou Bùbá e Sòkòtò : conjunto de túnica com calça. Agbádá : talvez a peça mais imponente da moda iorubá. Uma capa ampla e majestosa usada pelos homens em ocasiões especiais. Representa autoridade, maturidade e respeito. Fìlà : o chapéu masculino, geralmente feito de aso-oke. As joias: poder, proteção e identidade O uso de joias é central para a estética iorubá. Contas de vidro (iléke):  remetem aos orixás, linhagens familiares e rituais de iniciação. Bronze e latão:  associados à realeza e à cidade de Ifé. Miçangas coloridas:  usadas tanto em roupas quanto em acessórios, cada cor com simbolismo próprio. No contexto religioso afro-brasileiro, essas contas permanecem vivas como parte da liturgia. As cores e seus significados Cada tonalidade carrega seu próprio universo simbólico: Branco:  pureza, espiritualidade, ancestralidade. Azul e índigo:  equilíbrio, profundidade, conhecimento. Vermelho:  energia, poder, vitalidade. Dourado:  prosperidade, realeza. Preto:  maturidade, força interior, ancestralidade profunda. No Brasil, essa relação com cor aparece nas roupas rituais dedicadas a cada orixá. A estética iorubá e sua influência no Brasil No período da diáspora africana, muitos iorubás chegaram ao Brasil, especialmente à Bahia. Sua indumentária influenciou: As saias rodadas das baianas O uso de turbantes Joias com contas Estamparia de amarração como o tie-dye Tecidos cerimoniais do candomblé A presença do branco nas festas tradicionais A estética se incorporou ao cotidiano brasileiro, ressignificada, mas ainda portadora da memória ancestral. A moda iorubá hoje: tradição e reinvenção A moda iorubá contemporânea mantém as bases tradicionais, mas dialoga com: cortes modernos streetwear alta costura africana coleções de designers como Lisa Folawiyo, Deola Sagoe e Kenneth Ize, que transformam aso-oke em peças de passarela As roupas iorubás continuam sendo símbolo de orgulho e resistência cultural. A moda global está finalmente reconhecendo a profundidade das estéticas africanas. A indumentária iorubá questiona o eurocentrismo histórico da moda, propondo outra forma de pensar vestimenta: como arte como símbolo como pertencimento como narrativa Compreender essa cultura amplia nossa visão sobre o que significa vestir-se e cria pontes entre passado, presente e futuro. A indumentária iorubá é um dos sistemas de moda mais sofisticados do mundo, unindo técnica artesanal, simbolismo espiritual e expressões sociais profundas. Cada tecido, acessório e cor carrega histórias de reis, sacerdotisas, artesãos, famílias e comunidades. Celebrar essa estética é também reconhecer a força da ancestralidade africana que ainda pulsa no Brasil e no mundo.

  • Funmilayo Ransome Kuti

    Funmilayo Ransome-Kuti (1900–1978) foi uma das figuras mais influentes dos movimentos sociais da Nigéria no século XX. Educadora, ativista política e pioneira na luta pelos direitos das mulheres, ela se tornou referência tanto pela atuação pública quanto pela forma como articulava identidade cultural e resistência através de sua apresentação visual. Nascida em Abeokuta, no atual estado de Ogun, Nigéria, Funmilayo foi uma das primeiras mulheres iorubás a receber educação formal em escolas ocidentais. Sua formação a levou posteriormente à docência, função que exerceu antes de se engajar de maneira integral na vida política e social. Na década de 1940, fundou a Abeokuta Women’s Union (AWU) , organização que se tornou uma das maiores frentes femininas de mobilização da época. O grupo lutava principalmente contra a exploração fiscal das mulheres e a estrutura colonial britânica que afetava diretamente as condições de trabalho, renda e autonomia feminina. Sob sua liderança, a AWU organizou protestos, campanhas de conscientização e negociações políticas que tiveram impacto nacional. Funmilayo também participou da construção do movimento anticolonial nigeriano, colaborando com partidos nacionalistas e ocupando posições de destaque em congressos pan-africanistas. Sua atuação, marcada por enfrentamentos diretos com autoridades coloniais, contribuiu para mudanças legislativas e para o fortalecimento da participação feminina na política. Além disso, ela desempenhou papel importante na promoção da educação de base e na defesa de direitos civis em comunidades urbanas e rurais. Sua relevância histórica também se conecta ao ambiente cultural que ajudou a moldar: Funmilayo é mãe de Fela Kuti, músico e criador do gênero Afrobeat, cuja obra foi profundamente influenciada pela trajetória política da família. A construção visual de uma liderança: análise da vestimenta A indumentária de Funmilayo Ransome-Kuti desempenhava um papel central em sua imagem pública. Ela utilizava predominantemente roupas tradicionais da cultura iorubá, reforçando pertencimento comunitário e vínculo com práticas têxteis locais em um período de forte influência colonial. Padronização visual na mobilização feminina As integrantes da Abeokuta Women’s Union, organização liderada por Funmilayo, utilizavam tecidos semelhantes, principalmente o adire. Essa escolha estabelecia identidade coletiva, facilitava o reconhecimento do grupo e reforçava a solidariedade entre as participantes durante atos públicos e negociações. A relevância de Funmilayo Ransome-Kuti ultrapassa sua atuação como ativista. Sua imagem e vestimenta comunicavam resistência cultural em um contexto de dominação colonial e desigualdades estruturais. O uso de tecidos, cores e modelagens tradicionais não era apenas uma preferência estética, mas parte da construção de uma liderança que integrava política, identidade e herança africana.

  • Nancy Cunard

    Nancy Clara Cunard nasceu em 10 de março de 1896, em Londres, Inglaterra, filha única de Sir Bache Cunard, herdeiro da empresa de navegação Cunard Line, e de Maud Alice “Emerald” Burke, americana de família rica. Cresceu em meio à alta sociedade britânica, mas desde jovem demonstrou um espírito rebelde e avesso às convenções de sua classe. Após o divórcio de seus pais em 1911, Nancy passou a viver com a mãe em Londres e entrou em contato com os círculos literários e artísticos frequentou pensionatos na Inglaterra, Alemanha e França e desenvolveu fluência em várias línguas. Em 1916, casou-se com o capitão Sydney Fairbairn, mas o casamento durou apenas cerca de 20 meses e terminou em divórcio em meados de 1925. Por volta de 1920, Nancy mudou-se para Paris, onde rapidamente se inseriu nos círculos da vanguarda literária, artística e do movimento modernista. Ali tornou-se amiga, musa ou colaboradora de escritores e artistas como Ezra Pound, Wyndham Lewis, T. S. Eliot, Louis Aragon, Tristan Tzara e Man Ray. Ela publicou poesia e produziu trabalhos literários próprios, entre eles o poema extenso Parallax  em 1925. Em 1928, Nancy fundou a editora Hours Press  em Réanville, Normandia, que publicou obras importantes da literatura modernista e de vanguarda como o primeiro livro de Samuel Beckett ( Whoroscope , 1930) e trechos de Ezra Pound ( A Draft of XXX Cantos ). Em paralelo à atividade literária e editorial, Nancy dedicou-se ao ativismo político. Influenciada por sua relação com o músico afro-americano Henry Crowder, passou a estudar e denunciar as injustiças raciais nos Estados Unidos e nas colônias britânicas. Em 1934, publicou a célebre antologia Negro: An Anthology , reunindo escritos e arte de intelectuais da diáspora africana. Durante a Guerra Civil Espanhola, Nancy apoiou os republicanos e organizou esforços de ajuda humanitária; durante a Segunda Guerra Mundial colaborou com a imprensa aliada e deu suporte à resistência francesa. No entanto, sua vida não foi isenta de sofrimento. A herança que ela possuía foi gradualmente consumida, sua saúde mental e física deteriorou-se, e ela enfrentou alcoolismo, isolamento e dificuldades nos últimos anos. Em 17 de março de 1965, Nancy Cunard faleceu em Paris, França. Principais Contribuições e Legado Nancy Cunard é lembrada por várias frentes: como poeta, editora, ativista e ícone da moda e do estilo boêmio. Seu visual com o cabelo curto, roupas modernas, e sobretudo suas joias inspiradas em arte africana, como grandes braceletes de marfim ou madeira marcou a estética da década de 1920 e além. Como editora, sua Hours Press  teve papel importante ao promover a literatura modernista em pequenas edições de luxo. Como ativista, seu livro Negro  é considerado marco na literatura de luta antirracista da primeira metade do século XX. Hoje, Nancy Cunard é reconhecida como uma figura transgressora de sua época: uma mulher de privilégio que escolheu questionar seu mundo, assumir posições extremas e usar sua voz e recursos para arte, política e cultura.

  • A tradicional "Mantilha Espanhola"

    Nessa matéria vamos falar sobre mulheres e suas mantilhas negras , presas sobre uma estrutura alta chamada peineta . Esse é um traje tradicional espanhol , profundamente ligado à história, à religião e ao comportamento social das mulheres da Espanha especialmente entre os séculos XIX e XX , embora suas origens sejam bem mais antigas. O que é a mantilha? A mantilha  ( mantilla , em espanhol) é um véu de renda   geralmente de seda ou tule bordado  usado sobre a cabeça e os ombros. Ela é sustentada por uma espécie de pente ornamental alto , feito de tartaruga ou plástico, chamado peineta , que dá essa aparência ereta e majestosa ao véu. A cor e o uso da mantilha possuem significados simbólicos : Preta:  usada em ocasiões solenes, como funerais, Semana Santa e audiências com o Papa. Representa luto, respeito e sobriedade. Branca:  tradicionalmente usada por noivas ou em celebrações religiosas, simbolizando pureza e devoção. Origem e época A mantilha surgiu por volta do século XVI , durante o reinado de Carlos V , quando o costume de cobrir a cabeça se consolidou entre as mulheres espanholas. No entanto, ela ganhou seu auge no século XIX , durante o reinado de Isabel II , quando passou a ser símbolo de elegância e identidade nacional . Mesmo com a modernização da moda europeia, a mantilha resistiu como um símbolo da mulher espanhola tradicional , associada ao catolicismo, à devoção e à feminilidade recatada . Regiões e contexto cultural O uso mais tradicional é visto na Andaluzia , especialmente em cidades como Sevilha , Granada  e Córdoba . Ela aparece em ocasiões como: Procissões da Semana Santa  ( Semana Santa Sevillana ), quando as mulheres se vestem de preto como forma de penitência e devoção; Touradas  e festividades religiosas , onde o traje simboliza respeito e tradição; Casamentos reais e encontros com o Papa , onde o protocolo ainda permite o uso da mantilha preta para mulheres espanholas ou católicas de alto status. Símbolo de devoção e poder feminino A mantilha não era apenas uma peça de fé, mas também de status social . Mulheres das classes altas usavam versões luxuosas, com rendas finas e peinetas ricamente trabalhadas. Apesar de cobrir o corpo, o véu conferia um ar de mistério e sensualidade , reforçando a dualidade da mulher espanhola entre a modéstia religiosa e a força de sua presença. Hoje, a mantilha é usada em eventos cerimoniais, procissões religiosas e casamentos , como símbolo da tradição espanhola . Ela representa não só a devoção, mas também a preservação da identidade cultural feminina  em meio à globalização da moda.

  • Paul Poiret

    Paul Poiret foi um dos mais influentes estilistas do início do século XX e é frequentemente lembrado como o primeiro grande costureiro moderno . Ele revolucionou a moda feminina ao libertar as mulheres do espartilho e introduzir uma estética ousada, artística e inovadora. Nascido em 20 de abril de 1879 , em Paris, França , Paul Poiret era filho de um comerciante de tecidos. Desde jovem, demonstrou interesse por desenho e roupas, o que o levou a procurar trabalho com alfaiates e costureiros locais. Sua carreira começou de forma modesta, mas rapidamente ganhou destaque graças à sua criatividade e à capacidade de captar o espírito de mudança da virada do século. Em 1898 , Poiret começou a trabalhar na Maison Worth , uma das casas de alta-costura mais prestigiadas da época. Embora tenha aprendido muito ali, ele se sentia limitado pelo estilo conservador da maison. Em seguida, passou a trabalhar para Jacques Doucet , outro grande nome da moda parisiense, onde pôde desenvolver mais livremente suas ideias sobre formas soltas e linhas fluidas. Em 1903 , Paul Poiret fundou sua própria casa de moda, a Maison Poiret , em Paris. A partir daí, sua visão estética começou a transformar a maneira como as mulheres se vestiam. Ele foi o primeiro a criar roupas que dispensavam o uso do espartilho, símbolo de opressão feminina até então, substituindo-o por modelagens soltas, caftãs, túnicas e vestidos drapeados . Inspirado por culturas orientais, pelo exotismo e pela arte, Poiret introduziu elementos que rompiam com a moda rígida da Belle Époque. Um dos momentos mais icônicos de sua carreira foi a criação do “sari”  e da “saia lâmpada” (jupe entravée) , peças inspiradas na moda oriental e nos figurinos de bailarinas e cortesãs do Oriente. Poiret também foi um dos primeiros costureiros a usar a cor de forma ousada , influenciado pelos fauves  e pelo movimento artístico moderno. Além disso, Paul Poiret foi pioneiro em unir moda e arte . Ele foi um grande amigo do ilustrador Paul Iribe  e colaborou com artistas como Raoul Dufy , que desenhou estampas exclusivas para suas coleções. Em 1911, ele organizou um evento lendário chamado “Mil e Segunda Noite” , uma festa inspirada nas Mil e Uma Noites , onde apresentou suas criações orientais em um espetáculo teatral de luxo e fantasia — marcando um dos primeiros desfiles de moda performáticos da história. Poiret também foi um visionário no campo dos perfumes . Em 1911, fundou a Parfums de Rosine , em homenagem à sua filha, tornando-se o primeiro costureiro a criar uma linha própria de fragrâncias — uma estratégia de marketing que se tornaria comum entre estilistas nas décadas seguintes. Durante a Primeira Guerra Mundial , a Maison Poiret entrou em declínio. Após o conflito, o estilista encontrou um novo cenário na moda, dominado por linhas mais simples e esportivas, representadas por Coco Chanel , sua maior rival. Enquanto Chanel pregava a praticidade e a sobriedade, Poiret continuava fiel à extravagância e ao luxo, o que acabou o afastando do gosto popular. Em 1929 , sua maison declarou falência. Poiret tentou reinventar-se, mas nunca mais recuperou o sucesso dos anos anteriores. Ele viveu seus últimos anos em dificuldades financeiras, vendendo retratos e trabalhando ocasionalmente como consultor artístico. Paul Poiret faleceu em 30 de abril de 1944 , em Paris , praticamente esquecido pelo grande público, embora seu nome tenha sido redescoberto e valorizado nas décadas seguintes. Seu legado, no entanto, é imensurável. Paul Poiret foi o precursor da moda moderna , unindo arte, liberdade corporal e design. Ele antecipou tendências que só seriam retomadas décadas depois, como o prêt-à-porter, o uso de estampas artísticas e a ideia do estilista como criador e personalidade pública. Sobre livros e documentários , há diversas obras que exploram sua trajetória: "Poiret"  (publicado pela editora Thames & Hudson) — um livro ricamente ilustrado sobre sua vida e obra. "Paul Poiret: King of Fashion" , catálogo da exposição organizada pelo Metropolitan Museum of Art (MET)  em 2007, que celebrou sua influência na moda moderna. Além disso, há documentários e vídeos curtos produzidos por museus e canais de moda sobre sua contribuição para a história do vestuário, especialmente sobre sua relação com o design Art Déco e o orientalismo. Paul Poiret permanece uma figura central na história da moda, lembrado não apenas como costureiro, mas como artista visionário , que transformou a forma como o mundo enxerga o vestir.

  • Betty Blythe

    Betty Blythe foi uma atriz norte-americana do cinema mudo, conhecida por sua beleza marcante e pelos figurinos ousados e exóticos que usava nas telas, especialmente durante a década de 1920. Ela nasceu em 1º de setembro de 1893 , em Los Angeles, Califórnia , e faleceu em 7 de agosto de 1972 , também em Los Angeles, aos 78 anos. Betty começou sua carreira artística no teatro, atuando em peças de vaudeville antes de ingressar no cinema em 1916. Sua estreia nas telas coincidiu com o auge da era do cinema mudo, período em que ela rapidamente se destacou por sua presença cênica sofisticada e por interpretar personagens femininas fortes, misteriosas e sedutoras. O papel que a consagrou foi o da Rainha de Sheba  (Queen of Sheba, 1921), dirigido por J. Gordon Edwards. Esse filme tornou-se famoso não apenas pela grandiosidade da produção, mas também pelos figurinos reveladores usados por Betty, que chocaram parte do público conservador da época. O visual de inspiração Art Déco e orientalista , com joias, véus e tecidos translúcidos, ajudou a consolidar sua imagem de símbolo de sensualidade e elegância. Apesar do sucesso, o filme foi posteriormente considerado perdido, como muitos outros da era do cinema mudo. Ao longo de sua carreira, Betty Blythe participou de mais de 60 produções cinematográficas , transitando entre papéis dramáticos e românticos. Ela também interpretou personagens históricas e exóticas em filmes como The Queen of Sheba , The Black Panther’s Cub  (1921), Chu-Chin-Chow  (1923) e She  (1925). Seu estilo glamouroso e sua presença magnética influenciaram o padrão de beleza e comportamento feminino do cinema nos anos 1920, época em que Hollywood consolidava suas estrelas como ícones culturais. Com o advento do cinema falado, sua carreira sofreu uma transição. Betty continuou atuando, mas passou a receber papéis menores e participações não creditadas em produções sonoras, como em My Fair Lady  (1964), onde fez sua última aparição no cinema. Mesmo assim, ela se manteve ligada à indústria cinematográfica por quase cinco décadas, sendo lembrada como uma das pioneiras de Hollywood. Fora das telas, Betty Blythe também era conhecida por seu gosto refinado e por sua ligação com o movimento artístico Art Déco. Suas fotos e figurinos marcaram época, misturando sensualidade, elegância e teatralidade. Muitos figurinos que usou foram inspirados nos trabalhos de Erte  e Paul Poiret , grandes nomes da moda e do design do início do século XX. Betty faleceu em 1972, deixando um legado importante na história do cinema mudo. Ela foi uma das primeiras atrizes a desafiar os padrões de moralidade feminina de sua época, mostrando que a sensualidade podia ser expressa de forma artística e sofisticada. Sua figura permanece como um ícone da Era de Ouro do cinema mudo e da estética Art Déco.

  • Glória Coelho

    Glória Maria Menezes de Alencar Coelho nasceu em 1 de agosto de 1951 , em Pedra Azul Minas Gerais . Filha de Elmar Coelho e Yollah Menezes de Alencar Coelho, ela mudou-se ainda jovem para São Paulo, na década de 1960, onde deu seus primeiros passos na moda. Desde criança, Glória demonstrava interesse por trabalhos manuais e moda: conta-se que aos seis anos ganhou uma pequena cesta de costura da mãe, marca de um primeiro contato com o universo do vestir. Ela estudou corte, costura e bordado, e frequentou o Colégio Técnico Visual de Desenho de Comunicação Visual (IADE) em São Paulo. Além disso, fez cursos de aperfeiçoamento, como os promovidos pela Rhodia no Brasil, e teve contato com o Studio Berçot, de Paris, via cursos como os de Marie Rucki. Carreira Glória Coelho formalizou sua entrada no mundo profissional da moda em 1974, quando fundou a marca G , junto com sua irmã Graça Amazonas. O ateliê ficava na Rua Hungria, em São Paulo, e em pouco tempo suas peças chamaram atenção pela modelagem rigorosa, acabamento sofisticado e identidade própria. Com o tempo, a marca evoluiu e passou a ser conhecida simplesmente como Glória Coelho , nome que se consolidou como referência de moda autoral. Sua marca também incluiu uma linha chamada Carlota Joakina , voltada para um perfil diferente, com apelo diferenciado em estampas e modelagens. Outro ponto importante: Glória é mãe de Pedro Lourenço, estilista também, fruto de seu casamento com o também estilista Reinaldo Lourenço. Eles se casaram em meados da década de 1980 e se separaram em 2006. Estilo, estética e inovações Glória Coelho é conhecida por uma estética que combina minimalismo futurista  com experimentação tecnológica, aliada à delicadeza de acabamentos “manuais” e precisão de modelagem. Sua marca frequentemente desenvolve tecidos exclusivos ou usa materiais tecnológicos, como o “TK”, um tipo de neoprene antibacteriano que molda, estiliza e possui apelo funcional. Suas coleções dialogam com arte, arquitetura, design, futurismo, misticismo, cultura jovem, tendências globais e também revisitam décadas passadas (como os anos 60), reimaginando elementos clássicos sob nova ótica. Glória Coelho também não resiste a mostrar suas ideias em espaços pouco convencionais: exposições, instalações, cenografia cheia de impacto, ambientações artísticas, convites internacionais como o desfile em Madri (Passarela Cibeles) em 2008, dentre outros. Destaques da carreira Em 2008, ela foi convidada para exibir coleção no Cibeles Fashion Week , em Madri, com uma estética “novo clássico” que conversava tanto com suas referências pessoais quanto com inspirações artísticas internacionais. Em 2011, foi realizada a exposição “Glória Coelho – Linha do Tempo” , no Museu da Casa Brasileira, que reuniu cerca de 60 looks representativos de várias épocas de sua carreira, entre 1996 e 2011. Na ocasião, também foi lançado um livro que leva seu nome, com fotografias de suas criações e depoimentos de pessoas próximas. Em 2025, ela celebra seus 50 anos de carreira  com uma coleção especial com mais de 200 itens, além de um desfile digital e projeções públicas em São Paulo. Também marcou presença marcante no SPFW (São Paulo Fashion Week), frequentemente trazendo coleções que exploram o contraste entre tradição e tecnologia. Um dos desfiles comemorativos dos 50 anos ocorreu dentro do metrô de São Paulo, mostrando sua capacidade de pensar moda como parte da vida urbana e do tempo. Vida pessoal Glória é casada atualmente com Zé Roberto (proprietário de tecelagem) em um período anterior, e depois casou-se com Reinaldo Lourenço. Com ele teve seu filho Pedro Lourenço, que seguiu carreira de estilista. Seu olhar para a moda também incorpora a maternidade, as referências pessoais e o envolvimento com sua família na história criativa da marca. Prêmios e reconhecimento Glória Coelho já recebeu diversos prêmios ao longo da vida. Em 1997, ganhou o Prêmio Phytoervas de Moda como melhor estilista. Também foi reconhecida no Moda Brasil, entre outros prêmios nacionais. Em 2014, levou o Prêmio Shell de Teatro  na categoria “Melhor Figurino” pelo espetáculo Trágica.3 , dirigido por Guilherme Leme. Legado e importância Glória Coelho é uma estilista cuja carreira “se confunde com a história da moda brasileira”. Ela é admirada por sua capacidade de se reinventar sem perder identidade, de antecipar tendências, de valorizar tecidos e técnicas, de misturar o artesanal com o tecnológico, o clássico com o futurista, o local com o universal. Sua marca é referência de elegância intelectual, precisão de corte, inovação estética e apelo internacional. Além disso, sua trajetória serve de inspiração para outras gerações, mostrando que longevidade na moda é possível quando se mantém paixão, consistência, integridade criativa e comprometimento com a estética.

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